Teresa Branco. especialista em gestão do peso
Teresa Branco. especialista em gestão do peso DR

Gestão do peso: o Natal não tem de ser um pesadelo

Beber infusões e comer pequenos snacks ao longo do dia para enganar a fome. Substituir o açúcar e as gorduras usadas na confecção de doces. Fazer filhoses em miniatura. São algumas das sugestões práticas e fáceis de concretizar que Teresa Branco, fisiologista especialista em gestão de peso, receita para sobreviver ao Natal, sem ter de passar fome nem ganhar peso.

Há pessoas para quem o Natal, ou qualquer outra altura festiva, é um pesadelo. "Normalmente são aquelas que ‘já andam com a corda esticada' durante todo o ano", diz a fisiologista Teresa Branco. E adianta que quem faz uma boa gestão do peso no dia-a-dia e já está habituado a fazer restrições à mesa, a realizar refeições frequentes e a praticar algum tipo de exercício físico, consegue compensar mais facilmente os quilos que possa vir a ganhar no Natal. "É preciso passar a mensagem de que não se engorda entre o Natal e a Passagem de Ano, mas sim entre a Passagem de Ano e o Natal. E, em qualquer dos casos, a actividade física é a forma mais eficaz de compensar os excessos alimentares cometidos, nesta quadra ou em qualquer outra época festiva", explica.

Existem alternativas saudáveis que se pode colocar na mesa, sem comprometer as receitas tradicionais. Quando se fala de sobremesas, a fisiologista sugere que se façam doces com frutos secos, chocolate negro ou coco e evitar as que privilegiam natas e maiores doses de açúcar e gordura. Os figos, por exemplo, sendo bastante calóricos, são indicados como uma alternativa saudável porque contêm fibra e, para além disso, contém uma açúcar de maior qualidade (fructose) do que o açúcar branco (sacarose), que normalmente se adiciona aos bolos.

Doces pecados 

Como a ingestão exagerada de açúcar é uma das principais causas do excesso de peso, Teresa Branco aponta um truque que pode ajudar relativamente aos doces típicos da quadra - como as filhoses, os sonhos ou as rabanadas - e que é fazê-los mais pequenos e em menor quantidade evitando assim carregar a casa de doces durante um largo período de tempo.

"Muitas das receitas têm quantidades exageradas de açúcar e gordura que podemos reduzir ou, no caso da gordura, principalmente as menos saudáveis como manteigas ou óleos, substituir por outras mais saudáveis", aconselha. Há sempre a possibilidade de usar iogurte em vez de natas e até mesmo xarope de agave no lugar do açúcar.

Outra dica que Teresa Branco dá para "enganar a fome", evitando algumas idas à mesa farta, é manter várias refeições ao longo do dia, como pequenos snacks e ir bebendo infusões sem açúcar porque de certa forma confortam o estômago.

Já no que toca aos pratos fortes da época, estes nem são problemáticos. O bacalhau cozido com todos e o peru, quando acompanhado por vegetais, são refeições que estão perfeitamente em sintonia com uma alimentação saudável.

O que se deve é ter é maior contenção na ingestão de hidratos de carbono. "Se já sabemos que vamos comer mais açúcares, podemos compensar esses excessos reduzindo nos hidratos de carbono, como o arroz, a massa ou o pão.

Medidas drásticas, sim ou não?

Também é muito típico ouvir as pessoas dizer que a seguir ao Natal vão entrar em dieta drástica ou até deixar de comer. É prejudicial? "Não. Preocupante é ganhar uns quilos e não fazer nada para os perder." Por isso aconselha a quem cometer excessos a fazer restrições alimentares mais fortes para compensar a ingestão de alimentos em grande medida superior ao que o nosso corpo necessita. "Hoje em dia sabe-se que a restrição calórica dá uma maior longevidade, ou seja, as pessoas que fazem alguns períodos curtos de jejum têm mais anos de vida", reforça.