A Westvleteren 12.
A Westvleteren 12.

Bélgica:

Muito provavelmente a melhor cerveja do mundo

Diz o povo que na Bélgica não se pode simplesmente pedir ‘uma cerveja’. O processo de escolha implica olhar demoradamente para o menu antes de se tomar uma decisão. Os turistas amantes de cerveja chegam ao país munidos de uma lista classificativa. O mantra parece ser: cada cerveja será degustada e pontuada. Mas classificar todas é difícil. Há mais de 120 tipos de cerveja no país e mais de 700 cervejas diferentes para experimentar.

Depois da água e do chá, a cerveja é a terceira bebida mais consumida em todo o mundo. E na Velha Europa, a Bélgica - a par com a Alemanha e a Irlanda - está entre os países com maior tradição cervejeira. Estima-se que cada belga beba, em média, 90 litros de cerveja por ano. Ainda assim muito longe do top 3 europeu: República Checa (158 litros/ano), Alemanha (131 litros/ano) e Irlanda (110 litros/ano).

A cerveja é tão popular na Bélgica como os mexilhões com batatas fritas, os bombons e os gaufres. Está tão presente no dia-a-dia dos belgas que mesmo a culinária típica vai - literalmente - beber inspiração a esta bebida em pratos como, por exemplo, a Carbonade, uma espécie de guisado de carne, que pode perfeitamente ser empurrado com uma caneca de Duvel.

A Bélgica produz tipos de cervejas para todos os gostos. Há as cervejas mais claras, como a popular Hoegaarden; as douradas, como a Duvel; as mais avermelhadas e mais acastanhadas, tendencialmente mais amargas; as mais encorpadas e ricas que têm origem em mosteiros cistercienses; as que têm um toque de fruta, como a popular Kriek, com aroma a cereja, e mais uma série infindável de variedades locais e sazonais.

Para além das já faladas Hoegaarden, Duvel e Kriek, as marcas mais conhecidas são Stella Artois, Alken Maes, Jupiler, Kwak, La Binchoise e Leffe. 

Em dois dos mais famosos bares de Bruxelas, o Delirum Tremens e o A La Mort Subite (nomes que selam igualmente a marca de duas cervejas), é possível pedir praticamente todas as variedades de cervejas belgas, em ambientes descontraídos e jovens.

Uma das cervejas belgas que mais notoriedade ganhou nos últimos anos foi a produzida no mosteiro Saint Sixtus, na Flandres, a metade belga onde se fala flamengo. Desde que a Westvleteren 12 foi considerada pelo site http://www.ratebeer.com/ a melhor cerveja do mundo, em 2005, que os cerca de 25 monges cistercienses têm visto a sua tranquilidade interrompida com entrevistas e uma procura muito superior à capacidade de oferta.

Mark Bode, coordenador do mosteiro, disse ao The Independent que a missão da cervejaria é financiar a comunidade, assegurando porém que os monges não vão ceder à tentação de começar a fabricar mais cerveja. A produção manter-se-á a mesma, com a graça de Deus: 4500 hectolitros por ano.

Na Bélgica há uma série de cervejas com origem em mosteiros e ordens religiosas. Entre elas contam-se as seguintes marcas: Westmalle, Westvleteren, Achel, Chimay, Rochefort e Orval.

Actualmente, segundo o ranking do Rate Beer - um site independente e muito conceituado, com base nos EUA, cujos membros pontuam as suas cervejas favoritas e elaboram listas classificativas - a Westvleteren 12 aparece em segundo lugar do ranking global das melhores cervejas do mundo. No top 20, a Bélgica tem ainda mais duas cervejas em destaque, a Westvleteren Extra 8 (igualmente produzida no mosteiro Saint Sixtus), em 11º lugar, e a Rochefort Trappistes 10, em 16º lugar.