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Grace Kelly, a princesa da moda abre Festival de Cannes

Musa de Hitchcock, Grace Kelly estava perto do estatuto de ícone mesmo antes do casamento com o príncipe Rainier III do Mónaco. A sua vida é agora retratada no filme Grace de Mónaco, que estreia em Cannes esta quarta-feira, na abertura da 67.ª edição do festival.

Protagonista dos maiores êxitos de Alfred Hitchcock como Chamada para a Morte (Dial M for Murder), Ladrão de Casaca (To Catch a Thief) e Janela Indiscreta (Rear Window); vencedora de um Óscar em 1955 com o filme Para Sempre (The Country Girl) de George Seaton, Grace Kelly rapidamente se tornou um ícone de moda devido ao seu estilo elegante e feminino, ao mesmo tempo que era simples, clássico e intemporal.

Aliás, os seus vestidos são dignos das passadeiras vermelhas da actualidade, assim como os acessórios cheios de glamour e até as roupas desportivas para o dia-a-dia; aos quais se junta o batom vermelho, o colar de pérolas, os óculos de sol e as luvas brancas. Tudo somado, fazem do estilo de Grace Kelly um dos mais recriados em editoriais de moda de todas as revistas de moda.

Quando casou com o príncipe Rainier, em Abril de 1956, as jóias tornaram-se menos discretas, o cabelo elevou-se com penteados mais complexos e as etiquetas das marcas europeias atropelaram-se para dominar o armário da princesa. No entanto, Grace utilizou mais do que uma vez o mesmo vestido, mantendo a simplicidade e criando uma nova mentalidade acerca do desperdício. Ainda assim, não escondia que as suas marcas favoritas eram a Chanel, Balenciaga, Madame Grès, Yves Saint-Laurent e Dior. Foram estas as marcas que em conjunto com a princesa, marcaram as silhuetas dos anos 1950.

O vestido de casamento, desenhado por Helen Rose, em seda bordada à mão com 800 mil lantejoulas, 1500 pérolas e strass foi o mais copiado do mundo. Um exemplo recente foi o modelo que a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton, escolheu para o dia do seu casamento, e que foi desenhado pela directora criativa da marca Alexander McQueen, Sarah Burton, que optou por aplicações de renda e pérolas.

Inspiração para designers ao longo dos anos
Grace Kelly morreu em 1982 num acidente de automóvel – 32 anos depois, a princesa continua a servir de fonte de inspiração para designers um pouco por todo o mundo, tendo sido eleita uma das personalidades mais influentes da moda de todos os tempos em 2012, pela revista Time.

Vejam-se os casos das colecções de Outono/Inverno 2012 de Yves Saint-Laurent, repleta das famosas calças capri – calças cujo comprimento termina acima do tornozelo –, que Grace celebrizou e tornou sua assinatura; ou da marca Chlóe, com as saias “midi”, muito usadas pela personagem de Grace no filme Janela Indiscreta; e as camisas com colarinhos cuidadosamente abotoados.

Mas o legado da princesa não se fica apenas pelas roupas, os acessórios também foram imortalizados em sua homenagem. Em 2012, a Montblanc lançou uma linha de jóias com formato de gota e detalhes em safira, remetendo para as pétalas de uma rosa, a flor preferida da diva.

Grace Kelly serviu igualmente de inspiração para as Barbies da Mattel, a maior fabricante de brinquedos do mundo. Numa edição de coleccionador, foram reproduzidos os coordenados mais icónicos da princesa, entre os quais uma boneca inspirada na personagem que representou no filme Ladrão de Casaca, com um longo vestido comprido em chiffon azul; uma com o vestido de noiva, todo rendado e com uma tiara inspirada na que Grace usou no dia do casamento e uma com um vestido preto com padrão floral, que reproduz o que vestiu quando conheceu o marido, no Festival de Cannes em 1955.

Mais recentemente, a marca portuguesa de sabrinas Josefinas, com fabrico nacional, inspirou-se na princesa para uma linha criada especialmente para noivas, baptizando um par de sabrinas com o seu nome. O célebre vestido de noiva rendado de Grace Kelly e a sua elegância e sofisticação foram a fonte de inspiração para a criação das Josefinas Grace, feitas com uma renda romântica de tom neutro.

Dar nomes de celebridades a malas é, hoje em dia, prática comum mas começou com Grace Kelly, eterna musa de mais do que uma marca de acessórios. O primeiro contacto de Grace com a marca Hermès aconteceu em 1954, quando a figurinista do filme Ladrão de Casaca comprou acessórios da griffe francesa para os adereços do filme.

Durante a gravidez da princesa Carolina, Grace foi muitas vezes vista a usar uma mala Hermès para proteger e tapar a barriga dos paparazzi. Após ser fotografada com ela, a mala atingiu altos níveis de popularidade, levando a marca francesa, conhecida por fabricar malas por encomenda e personalizadas ao gosto do cliente, a rebaptizar a mala em sua homenagem.

Doravante conhecida como “Kelly Bag”, a mala de formato trapézio, fechada com duas tiras, tem oito tamanhos diferentes e o pequeno cadeado que está no centro, no fecho, é feito de ouro branco ou amarelo. Cada uma destas malas demora entre 18 a 25 horas a construir e é feita por apenas um artesão. Apesar de ser uma das mais caras do mercado (o preço mínimo é cinco mil euros), a Kelly Bag é uma das mais vendidas da marca, a par da Birkin.

O filme da polémica

Considerada a décima terceira lenda do cinema mundial pelo Instituto Americano do Cinema, a musa de Hitchcock é agora protagonizada por Nicole Kidman, num filme realizado por Olivier Dahan, com participações de Tim Roth, Frank Langella e Paz Veja.

A família real do Mónaco escolheu distanciar-se do filme, defendendo, em comunicado à imprensa, que este “não pode, em circunstância alguma, ser classificado como uma biografia”. Os herdeiros de Grace Kelly acusaram o realizador de se estar a aproveitar do nome da família para fazer o filme, apelidando-o de “puramente ficcional, baseado em referências históricas e literárias erradas e duvidosas”.

O filme, escolhido para a abertura oficial da 67.ª edição do Festival de Cannes (extra-competição), chega às salas de cinema portuguesas no próximo dia 22.

Texto editado por Bárbara Wong